Ken,
Como montar equipes bacanas: taí um mistério.
Parei pra pensar nisso por causa de dois livros: O Reino e o Poder, de Gay Talese e O Mundo é Plano, de Thomas L. Friedman. O primeiro autor escreveu no NYT muito tempo. O outro escreve hoje. Assim como eles, talvez mais de uma centena de grandes autores teve ou têm o Times como casa.
Como é que eles manter tanta gente bacana por anos a fio?
No livro de Gay Talese, uma história do jornal, ficam evidentes as razões óbvias. Dinheiro é uma delas. Poder é outra. Isso é atraente pra muita gente boa, mas não é tudo. O NYT é reconhecido como o melhor jornal do mundo. Trabalhar em um lugar que é referência também faz diferença, tanto para a carreira como (provavelmente) para a pessoa. A marca fica tanto em como os outros vêem o dito cujo como em como o dito cujo vê as coisas.
Mas dinheiro, prestígio e referência deixaram de ser exclusividade de qualquer jornal no mundo. Apesar disso, o NYT segue firme e forte, cheio de gente bacana.
O outro livro, O Mundo é Plano, fala sobre globalização. Uma de suas teses-chave é que o poder está migrando das grandes instituições para indivíduos ou unidades menores da sociedade (um departamento, grupo ou pequena empresa, por exemplo).
Taí o mundo pra provar que o Friedman tá certo -- até quando o assunto é jornalismo. Hoje, pra escrever coisas bacanas, o cabra pode estar no DailyKos.com, no NoMínimo ou em mais um monte de lugares. Ele não precisa estar do NYT. Mas aí, nos agradecimentos do livro...
"Sou profundamente grato a Arthur Sulzberger Jr., publisher do The New York Times e presidente da NYT Co., por dar-me uma licença a fim de escrever este livro, e a Gail Collins, editora da página de editoriais do The New York Times, por apoiar essa licença e todo o meu projeto. É um privilégio trabalhar nesse grande jornal. Arthut e Gail foram os que me animaram a tentar fazer documentários para o canal Discovery, e isso me levou à Índia e estimulou todo esse livro."
Deve ser muito difícil para um jornal, mesmo sendo o NYT, atrair e manter gente tão bacana. Dinheiro, prestígio e referência estão em muito lugares. Agora, um ambiente que sirva de estrutura para gente inteligente colocar suas idéias para acontecer, onde ter projetos pessoais seja algo valorizado e que use a sua estrutura e poder em favor disso leva vantagem.
Isso é conjectura, mas imagina só: trabalhar no NYT e poder tirar uma licença para escrever um livro; receber apoio para viajar o mundo trabalhando para outro veículo; até mesmo utilizar a estrutura da empresa para pesquisar pelo seu projeto pessoal.
Não é todo lugar que é assim. Poucos (não sei quantos) conseguem. Também não sei que nome essa qualidade. Mas sei que é uma das grandes.
E aí, Japinha, que tal trabalhar num pico assim?
Bejão,
DDT